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Umuarama quer expandir a avicultura para diversificar a renda na zona rural

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20 de set de 2009 Diversos
Imagem Umuarama quer expandir a avicultura para diversificar a renda na zona rural
Umuarama quer expandir a avicultura para diversificar a renda na zona rural
A avicultura é considerada como uma excelente opção de renda em propriedades de pequeno e médio porte, seja por ter mercado garantido ou pelo fato de oferecer alternativas para a diversificação da produção nas áreas onde estão instalados aviários. Em Umuarama, entretanto, existem apenas 22 criadores de frango e 29 aviários. Debruçada sobre esses dados, a Secretaria Municipal de Agricultura elabora um programa para alterar essa realidade, buscando na expansão da avicultura uma forma de promover a tão almejada diversificação na fonte de renda rural.
"O adubo orgânico produzido no aviário pode garantir a fertilidade do solo de forma que o produtor possa desenvolver vários tipos de culturas e aumentar a renda da propriedade", garante o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Fávaro, secretário municipal da Agricultura, Meio Ambiente e Turismo. Observador da cena rural regional já há vários anos, Fávaro tem a convicção de que a melhoria da qualidade de vida no campo passa, obrigatoriamente, pela mudança da mentalidade do agricultor. "Eles também precisam demonstrar interesse em experimentar novas fontes de rendimento", afirma.
O secretário diz que, num primeiro momento, a Prefeitura pode incentivar a expansão da avicultura garantindo os equipamentos para a terraplanagem de áreas para a construção de aviários (barracões) e manter em boas condições de tráfego a malha viária rural. Mais adiante, caso o produtor decida diversificar, investindo em horticultura, entra em campo a estrutura da Ceasa (Centrais de Abastecimento) para garantir mercado e preços compatíveis. "Mas estamos estudando outras maneiras de incentivar investimentos na criação de frango, exatamente para buscar melhorar o rendimento das propriedades", informa Fávaro.
As melhores opções para a diversificação, na concepção de Fávaro, são a fruticultura e a olericultura. "Ocupam pequenas áreas e são rentáveis", observa. Ele aponta, ainda, que a agroindústria, a partir da criação de frangos, também é outra boa opção.
O secretário da Agricultura faz as contas e conclui que Umuarama deve produzir cerca de 6 milhões de frangos por ano. Como se trata de uma atividade desenvolvida em parceria (integração) o produtor recebe, em média, R$ 0,30 por frango produzido. Com a produção estimada, a avicultura gera uma receita bruta de R$ 25 milhões por ano no município. Um aviário criando 30 mil frangos por criada (período de 40 a 45 dias), ou 180 mil no ano, vai render ao criador R$ 54 mil brutos no espaço de 12 meses. Isso representa uma renda bruta de R$ 4,5 mil por mês.


Diversificação
Tomando por base uma propriedade agrícola de 34 hectares (14 alqueires), que é a média da maioria das áreas existentes no município, o secretário aponta dois exemplos de diversificação na atividade rural.
Nessa área existe um aviário com capacidade para criar 30 mil frangos que irá produzir 300 toneladas de cama de aviário por ano para estercar 20 hectares. Em 10 hectares devidamente adubados, o produtor plantará 300 mil pés de abacaxi que poderão produzir, num período de 18 meses, 250 mil frutos que, vendidos a R$ 0,80 cada, gerará uma renda bruta de R$ 200 mil. O produtor terá um custo de R$ 80 mil para alcançar os R$ 200 mil, restando-lhe, portanto, R$ 120 mil. Esse valor, dividido por 18 meses, representará R$ 6 mil de rendimento liquido nos 10 hectares, por mês.
Em outros 10 hectares, igualmente regados com o adubo orgânico do aviário, o produtor irá produzir milho verde. Ele vai obter 2.500 dúzias por hectare, ou 25 mil dúzias em toda a área. Considerando que ele poderá ter duas safras anuais na mesma área, vai produzir 50 mil dúzias anuais que, vendidas ao preço médio de R$ 1,50, renderá R$ 75 mil brutos no ano.
Antonio Carlos Fávaro continua fazendo as contas para provar que a sua teoria está correta. Produzindo milho verde, abacaxi e criando frangos, essa propriedade de 34 hectares vai gerar uma renda bruta de R$ 21,7 mil por mês. Tirando todas as despesas, inclusive com mão de obra, essa mesma área vai garantir ao proprietário um rendimento mensal de R$ 13 mil. "É um valor significativo", avalia o secretário.

 

Crescimento da indústria
Único abatedouro de aves do município, a Averama já está no mercado há 11 anos. Tem 200 agregados (criadores de frango), dos quais apenas 22 são de Umuarama. Abate, atualmente, 65 mil aves por dia, o que representa 100 toneladas de carne. Oitenta por cento da produção - frango inteiro e em partes - são destinados à exportação para países do Oriente Médio, oeste africano e Ásia. A empresa tem 600 funcionários e poderia estar gerando mais empregos se a produção de frangos fosse maior.
"Nós temos capacidade de absorver mais frangos, mas parece que a avicultura não está bem explicada aos produtores", diz Célio Batista Martins Filho, proprietário da Averama. Segundo ele, trata-se de uma atividade bastante segura em todos os aspectos: nunca houve uma frustração na criação, não houve perda de dinheiro e o mercado é garantido. O proprietário rural interessado em ingressar na atividade consegue financiar 100 % da construção do barracão, com juros de 6,75 % ao ano e 8 anos para pagar.
"Estamos caminhando para ser a primeira empresa em arrecadação de Umuarama", garante o empresário, afirmando que a Averama é hoje a segunda colocada. A empresa teve um crescimento de 53% no abate, se comparado o primeiro semestre de 2008 com o mesmo período deste ano. "É a empresa do ramo que mais cresceu no país, segundo avaliação do Ministério da Agricultura", informa Martins Filho. Ele assume que o abatedouro vai registrar um crescimento de 4 % ao final do ano. "O que está nos faltando é maior interesse dos produtores para um crescimento ainda mais forte", lamenta o empresário, não sem antes avaliar que quanto maior for a produção, mais benefícios terá o próprio município, com a geração de emprego e renda.