Notícia

Plano de Mobilidade recebe ideias da população em audiência pública

Compartilhar:
4 de jul de 2018 Umutrans
Imagem Plano de Mobilidade recebe ideias da população em audiência pública
Plano de Mobilidade recebe ideias da população em audiência pública
 A primeira audiência pública do Plano de Mobilidade Urbana, realizada na noite da última quinta-feira, 28, no plenário da Câmara de Vereadores, apresentou um completo raio-X da situação do trânsito em Umuarama, do ponto de vista dos motoristas, pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo municipal. O evento abriu espaço para os presentes se manifestarem por meio de críticas, avaliações e sugestões sobre as dificuldades encontradas nas ruas e calçadas da cidade e também dos distritos, que estavam representados por moradores.
A audiência é parte do processo de construção do Plano de Mobilidade, que embasará um projeto de lei que será submetido à avaliação dos vereadores ainda neste ano. O secretário municipal de Administração, Vicente Afonso Gasparini – representando o prefeito Celso Pozzobom –, destacou a necessidade de planejamento urbano para absorver e assegurar a circulação da frota do município, em constante crescimento, e para o convívio de veículos e pedestres com harmonia e segurança.
“Para melhorar esse convívio, essa relação, e para acessar recursos federais que nos permitam investir em melhorias no trânsito, estamos empenhados na elaboração do plano, sob a condução da Diretoria de Trânsito (Umutrans), com amplo debate envolvendo a comunidade, por meio de reuniões, pesquisas e agora esta audiência pública”, destacou o secretário. “É importante que todos os setores se manifestem porque o plano prevê intervenções, melhorias e políticas de trânsito para as próximas décadas. O prefeito Celso Pozzobom espera que, com ampla participação popular, o modelo seja benéfico para todos os segmentos”, disse Gasparini.
A situação do trânsito, municipalizado desde 2006, foi detalhada pela engenheira Bárbara Marchesini, especialista em trânsito contratada para elaborar a minuta do projeto. Ela lembrou que Umuarama é uma cidade pólo, que atrai visitantes de toda a região em busca de atendimento em saúde, do comércio local, de ensino e serviços públicos – é a 20ª cidade do Estado em população, a 19ª em tamanho de frota (com crescimento de 3,5% ao ano) e ocupa a 4ª posição no Paraná em número de veículos por habitante.
“Isso demonstra o poder aquisitivo da população, mas também aponta a deficiência de outros modais, como o transporte público e a bicicleta, e explica o grande número de vítimas do trânsito – apenas neste ano já são 14 mortes. Daqui 5 anos, em 2023, teremos mais de 100 mil veículos circulando pelas ruas da cidade, disputando espaço nas vias e vagas de estacionamento”, apontou a engenheira.
Bárbara lembrou a expansão imobiliária, novos loteamentos com vias estreitas e aumento da demanda por serviços públicos; a extensa malha de estradas não pavimentadas (mais de 550 quilômetros) que exige manutenção constante e altos investimentos; e a situação dos quatro eixos rodoviários de acesso ao centro, as rodovias PR-323, 489, 482 e 580. As condições e problemas dos distritos também foram abordados na audiência.
As ruas de Umuarama contam com quase 480 quebra-molas, o que não reduz o índice de acidentes e vítimas do trânsito. Há problemas com acessibilidade nas calçadas, bloqueios, falta de conservação, mato alto, acúmulo de entulho e móveis velhos, mesas e cadeiras em bares, obstáculos que forçam os pedestres a caminhar pela rua. Estacionamento rotativo, privativo, nos canteiros centrais, vagas especiais, alto fluxo de caminhões, sistema cicloviário (pistas existentes e necessidade de ampliação), polos geradores de demandas de trânsito (como grandes supermercados e lojas) também foram temas abordados nas explanações.
 
TRANSPORTE COLETIVO
O transporte coletivo urbano mereceu um capítulo especial na audiência. Nas pesquisas, os usuários solicitaram adequações em algumas das 17 linhas disponíveis, melhorias na integração (hoje feita por tempo), revisão da tarifa – apesar de quase 30% dos passageiros serem isentos do pagamento – e melhorias nos pontos de ônibus. A situação da frota agrada a maioria dos pesquisados. A cidade conta com 288 abrigos para usuários e 47 pontos de parada sem identificação. Cerca de 30% do total não conta com proteção e quase 80% não dispõem de acessibilidade.
Usuários também reclamaram da falta de informação sobre as linhas e de diferença entre o horário informado e a passagem do ônibus pelo terminal, o que causa desencontro e muita espera. Bairros novos, com pouca demanda, ainda não foram incorporados às rotas e os poucos moradores também se queixaram. Por outro lado, a lei que disciplina o funcionamento dos táxis deverá ser atualizada – já que tem 45 anos de vigência e não condiz com a realidade – e o município deverá regularizar o serviço de mototaxi e motofrete, que hoje funciona praticamente sem regulamentação e fiscalização.
 
CONGESTIONAMENTOS
Gargalos urbanos – como avenidas centrais e praças, especialmente a Santos Dumont, com fluxo diário de 16 mil veículos – exigem estudos e adequações para melhorar o fluxo. “Precisamos decidir que cidade queremos, qual segmento será priorizado, qual modal precisa se desenvolver”, completou Bárbara.
A diretora da Umutrans, Dianês Piffer, disse que algumas mudanças definidas pelo Plano de Mobilidade serão aplicadas de imediato, mas a maioria vai demandar planejamento, investimentos e um plano de ação de longo prazo. “Na próxima semana começa a elaboração efetiva do plano, com base nos dados apurados, e até o final do ano teremos a minuta concluída para análise na Câmara de Vereadores”, completou, agradecendo a presença do público – que lotou o plenário – e a participação no debate de ideias, opiniões e sugestões.