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Banco de Alimentos de Umuarama combate o desperdício e promove a cidadania

Data de publicação: 07/03/2011

Foto da matéria Banco de Alimentos de Umuarama combate o desperdício e promove a cidadania

Os Bancos de Alimentos são equipamentos públicos de alimentação e nutrição destinados a selecionar, processar, armazenar e distribuir gêneros alimentícios arrecadados por meio de doações junto à rede varejista ou adquiridos da agricultura familiar por meio de programas governamentais. Atualmente, estão em funcionamento 67 unidades no País, apoiadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). São responsáveis, anualmente, pela distribuição de aproximadamente 40 mil toneladas de alimentos.
Em Umuarama, os produtos recebidos são selecionados, separados, eventualmente processados, embalados e distribuídos gratuitamente a entidades socioassistenciais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), por intermédio da Secretaria Municipal de Assistência Social, propiciando cardápios de qualidade às pessoas em situação de insegurança alimentar. Também são atendidas aproximadamente 130 famílias referenciadas pela rede. "A iniciativa lança um novo olhar sobre a questão, pois acaba envolvendo uma cadeia complexa, a começar pelos pequenos produtores rurais, passando pela detecção de situações diversas e indo além da mera distribuição de gêneros alimentícios", explica a secretária Marcela Laino Verrilo.
Em consonância com a meta nacional de erradicação da pobreza extrema, o Banco busca potencializar a articulação com outras políticas sociais relevantes para o alcance da população mais vulnerável, por meio do desenvolvimento de ações de geração de trabalho e renda, formação profissional e educação alimentar e nutricional. Após a implantação, a administração municipal providenciou a estruturação de uma equipe técnica específica para o planejamento e acompanhamento das ações desenvolvidas, assumindo a responsabilidade pela gestão e manutenção dos serviços.

Insegurança Alimentar
O desperdício de alimentos, que começa no campo e termina na mesa do consumidor, atinge a cifra de R$ 12,6 bilhões por ano, o equivalente a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Somente na cidade de São Paulo, as feiras livres produzem 1.032 toneladas/dia de lixo composto por frutas, verduras e legumes. Desse volume, 825,6 toneladas/dia são de alimentos que poderiam ser melhor aproveitados. As perdas ocorridas nos supermercados, depósitos atacadistas e, mesmo na indústria, também são significativas.

Cesta verde
Semanalmente, um volume considerável de gêneros alimentícios chega ao Banco, instalado em uma ampla edificação, localizada na rua Itaquiraí (proximidades da Sanepar). Após a catalogação, são devidamente acondicionados para a distribuição. Aproximadamente 130 famílias recebem a ‘Cesta Verde', composta por alimentos perecíveis e não perecíveis, além de hortaliças, frutas, verduras e legumes. A composição dos itens busca atender as necessidades específicas das famílias.
O processo inclui seleção, pesagem, armazenamento, embalagem e a distribuição propriamente dita. As famílias beneficiadas recebem orientação nutricional. "Elas recebem informações sobre como higienizar adequadamente e aproveitar da melhor maneira os alimentos, por exemplo", explica a chefe da Divisão de Segurança Alimentar, Ana Paula Frazili Godoi. "Se uma criança apresenta déficit de peso, receberá o acompanhamento devido", esclarece. A rede também se preocupa com a inclusão das pessoas em programas de alfabetização, capacitação profissional e geração de trabalho e renda, de acordo com o perfil do beneficiário.
Por mais de duas décadas, a cozinheira Gloria Uceli Siqueira segue a rotina de auxiliar no preparo do almoço na Casa da Sopa Doutor Leopoldino, mantido pelo Centro Espírita Allan Kardec, no centro da cidade. A entidade é uma das beneficiadas pelos repasses do Banco de Alimentos e serve dezenas de refeições diariamente. Na última quarta-feira, o cardápio foi arroz, feijão, carne de panela com batata, salada, frutas e suco.
Siqueira, que já participou de cursos de capacitação, elogia o acompanhamento constante dos profissionais da rede. "É sempre possível aprender novidades, como no caso da manipulação de alimentos, evitando desperdícios e preparando pratos balanceados", diz.

- As parcerias são fundamentais para que a iniciativa atinja resultados satisfatórios. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Agricultura, Meio Ambiente e Turismo, voltado à organização dos pequenos produtores rurais. A administração municipal coordenou a mobilização que resultou no surgimento da Cooperativa de Produtores Rurais de Umuarama (Cooperu)...

- Os Bancos de Alimentos, além de auxiliarem na distribuição dos gêneros do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), se caracterizam como importantes espaços de articulação com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)

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