Saúde

Vigilância Ambiental combate proliferação do caramujo africano no Bosque Uirapuru

Data de publicação: 03/02/2017

Foto da matéria Vigilância Ambiental combate proliferação do caramujo africano no Bosque Uirapuru

 A Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde realizou levantamento para quantificar a ocorrência do caramujo gigante africano no BosqueUirapuru, na quarta-feira, 1º. Com condições climáticas favoráveis, o molusco – normalmente de hábitos noturnos – tem sido visto com frequência durante o dia, entre as folhas, nas árvores, postes e sobre as pistas de caminhada.

Com a incidência constante de chuva, o solo do bosque tem retido muita umidade. Aliado à sombra das árvores, essa condição têm estimulado os caramujos a buscarem alimento à luz do dia. O chefe da Vigilância em Saúde, Flávio Posseti, disse que o município está atento à infestação desses animais e vai tomar medidas para que eles não se tornem um problema de saúde.

A situação não é preocupante, mas exige cuidados. O prefeito Celso Pozzobom foi informado sobre o levantamento e solicitou uma ação de combate nos próximos dias. Ele lembrou que a limpeza do bosque era terceirizada e o contrato com a empresa venceu no ano passado, resultando na dispensa dos trabalhadores. “Iniciamos o processo licitatório e em breve teremos uma equipe responsável para cuidar da limpeza e manutenção do bosque e ela fará o combate permanente ao caramujo africano”, afirmou.

Na próxima terça-feira, 7, a secretária municipal de Saúde, Cecília Cividini, realizará reunião com agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate a endemias (ACE), representantes das secretarias de Serviços Públicos, Agricultura e Meio Ambiente e de entidades da sociedade organizada para preparar um mutirão.

“Reuniremos nossas equipes e voluntários para uma grande coleta a fim de reduzir a população de caramujos, estimada em cerca de 270 mil nolevantamento. Os agentes contaram entre 40 e 50 espécimes por metro quadrado em alguns pontos do bosque. Em outros, o volume é menor. O mutirão será no próximo dia 10, mas confirmaremos a data após a reunião”, informou Cecília.

caramujo africano está presente em vários Estados. “Precisamos conviver com essa ameaça, acompanhar sua evolução e evitar a proliferação. Eles transmitem doenças e a concha vazia retém água, favorecendo o mosquito da dengue”, explicou Flávio Posseti.

A única forma de diminuir a infestação do molusco é o manejo ambiental no ecossistema onde ele vive. Os espécimes devem ser coletados manualmente, um a um. “Não podemos jogar sal ou calcário e nem queimá-los, pois apesar de exóticos eles já fazem parte da fauna. Para erradicação, o correto é recolher e enterrar em uma cova profunda”, explicou. Como o caramujo se cobre de terra para botar seus ovos, é acostumado a ficar enterrado. Com uma profundidade maior, não conseguirá voltar à superfície.

Outra medida é limpar as margens das pistas de caminhada, recuando as folhas, galhos e vegetação rasteira a até dois metros das calçadas. Adulto, o molusco atinge até 18 cm de concha e 500g. A espécie é prolífica, alcançando a maturidade sexual aos 5 meses. A fecundação é mútua (hermafroditas) e eles põem ovos até 400 ovos de duas a cinco vezes ao ano.

 

PRAGA

caramujo gigante africano foi introduzido no país no final da década de 1980, oriundo do leste e nordeste africanos, como substituto ao escargot. A espécie (Achatina fulica) chegou ao Brasil por meio de uma feira realizada no Paraná. Duas zoonoses podem ser transmitidas pelo molusco – meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis, que passa pelo sistema nervoso central e se aloja nos pulmões; e a angiostrongilíase abdominal, com casos já registrados no Brasil. A doença, causada pelo parasito Angiostrongylus costaricensis, muitas vezes é assintomática, mas em alguns casos pode levar à morte por perfuração intestinal e peritonite.

“É preciso muito cuidado ao manusear o molusco encontrado no ambiente. Em hipótese alguma deve ser ingerido. Devemos lavar bem as hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de hipoclorito de sódio – uma colher de água sanitária diluída em um litro de água – por cerca de 30 minutos, antes de serem consumidas. A Vigilância monitora a região do bosque e realizará um trabalho de contenção nos próximos dias”, anunciou Posseti.

 
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